segunda-feira, 22 de março de 2010


hoje estamos entrando numa nova onda
escapando ilesos das tardes tardias
chegando perto do que quer que seja
estufando o peito e em frente seguindo

nestas macias vertentes nas quais o mergulho
de intensa profundidade se fez esquecido
o tempo que passa se escancara de um dia
pra noite extrema a cair do vazio

as trilhas de verde e as pedras antigas
são trechos do passado em que agora passeio
neste momento presente preparando o futuro
e tentando manter toda a mágoa ausente

mas se de repente me cair do cavalo
o sonho vivido por bem mais que instantes
ficarei feliz por tê-los vivido
sem bibêlos a enfeitar minhas estantes.

sexta-feira, 19 de março de 2010


um pouco de boa música...


domingo, 21 de fevereiro de 2010


SILE

a mendigarte o mel dos lábios,
a devolverte a farsa
na nova linguagem...

poderia apenas fechar os olhos,
mas entendo o quanto
isso seria ridículo.

preencho espaços
com meus suspiros
abertos

e bebo o chorume
dos dias de verão:
veremos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


o deslize pelo lado esquerdo,
mais deslizes pelo direito,
um debruçar tranquilo
sobre a mesa logo à minha frente;

cada curva um deleite,
cada traço um desejo,
cada passo um osso
pra morder...

caminha rente aos desejos,
cortando os laços para inaugurar
uma nova era de domínios
sobre um coração.

não mais o olho dentro do olho
mas um engolir braço a braço,
dentes e sopros
no ouvido são.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Esta é do Banksy...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Aquele instante
Muito mais que fulgurante
Perdeu-se no mais íntimo
Fechar de uma janela.


Sublime tentação
De outros beijos não dados,
Esquecidos pois vulgarizados
Na busca tecada pelo prazer.


No entrar e esquecer da porta aberta
Tudo se ouviu, a emoção sumiu
Numa silenciosa caravela de proa torta,


Seguindo um rumo tenso
Na vastidão salivar
Do teu profundo umbigo.



Não há mais sinceridade

Nas resoluções tomadas ao acaso;
Há uma preparação para um enfrentamento
Como se uma guerra iminente
Sobrevoasse o campo das idéias
Já quimicamente alteradas
Pelo pulverizante assassino
Matador de revoltas.

Não há mais vontade
De se encontrar caminhos sem atrasos;
Há, sim, trocadores de placas
Espalhados em pontos vitais
Para que os passos sejam influenciados
Por seus chefes,
Os mestres da antiga arte
Da submissão.

Não há mais cidades
Onde possamos correr cem metros rasos,
Sem que o azar nos faça cruzar
Com ladrões dispostos a arrancar
A liberdade, exclusiva de cada um,
De poder escolher a melhor forma
De matar um tempo
Que desde sempre só faz escravizar.

domingo, 29 de novembro de 2009


DE(U)SAPARECER


Embriões atados a molas insólitas de extasiados humanos,

Estranhos seres do asfalto repugnante

Que destroçam sem piedade instintos e caminhos

Por uma sombra que os protejam do sol.


No mais profundo dos contrastes,

(Engomado e olhando de lado)

Usufruí pela primeira vez do meu mundo ilusório

Admitindo a partir de então que não era d(D)eus,


Este d(D)eus do mundo de sonhos,

Sonhos castrados em segundos;

Este d(D)eus atrapalhado e pisado,

Desanimado e com vermes nos olhos.



NÃO QUERO FRASES FEITAS


Formulação da palavra.

A cabeça gira,

Palavras formarão frases.

De tanto girar,

Começam a sangrar.

Todos os orifícios faciais

Experimentam agora

A deliciosa sensação

De empíricas cachoeiras.


Um vulto torna a formulação da palavra

Algo assustador,

De forma que a cabeça girará

E da boca sairão frases

Formadas de palavras,

Todas cuspidas da mesma boca,

Transformando as paredes

Em belos quadros

Pincelados de vômito.


A loucura ignora a formulação da palavra

E a faz chorar,

Molhando as palavras mal formadas

Que estragam as frases

E causam aftas por toda a boca,

Até que surge um daqueles

Que manda sal nas feridas,

Para que dela brotem, por instantes,

Rosas de carne rosadas.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009


O MENDIGO NO OUVIDO DO MENDIGO:


"Até onde me entendo

Até ontem me entendia;

Até tarde da noite

A espera que pulsou

(A espera pulsando),

As horas correndo

Ao encontro do que

Nem se sabia existir...


Ainda hoje me entendo:

O canalha,

O viciado,

Perdido,

Lacaio do sistema,

O mendigo

Pedinte

De sempre...


Amanha é o desafio

Do entendimento

De pelo menos o meu ser,

Aquele que me conduz

Entre estes bilhões que sou,

Entre estas montanhas sonhadas,

Entre estes ventos

Que resfriam o corpo."



... e o poeta disse ao outro, num bar em madureira:


"Um estampido tão perto assim, nem adianta disfarçar: a linha de tiro é logo ali. Logo ali entre os homens, mulheres, crianças e suas casas. A chegada do trabalho, a volta da escola, o tormento destes hospitais, a obscuridade sorridente dos seres humanos tão corajosos quanto medrosos. Mais um dia que se vai e estas balas espalhadas que sempre encontram alvos perdidos aceleram o meu desejo de buscar alguma paz daqui longe demais.

Queria ver o sol de um lugar mais amplo, namorar à luz da lua... Queria descobrir formas nas nuvens carregadas da bendita chuva com meus pés descalços a deslizar pela lama repleta de seres imaginados pelos instintos, libertos de suas algemas. Queria um mergulho nas águas do rio, a temperatura divina equilibrando minhas energias e a sensação de ser um glóbulo naquele sangue que escorre pelas veias expostas e ainda não destruídas daquela cadeia de montanhas.

Já fechei em mim alguns olhos cegos e reparti os restantes entre meus famintos versos e alguns instantes calados. Um pleno mistério esgueirou-se pelo muro que eu construía e num instante de fúria o que se encontrava de pé bateu com os joelhos no chão e tombou, cabeça no esgoto. Fechei para mim algumas portas e outras abri, menos mortas, que de morte já me basta aquela do futuro inesperado."


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

por Ramon Aguirre
aguirreartesvisuais@yahoo.com.br

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

por Naaman
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009


as falhas da vida foram mantidas

(intencionalidade real)
por uma estética não sóbria,
por qualquer coisa menos metódica.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

por Naaman
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