sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Aquele instante
Muito mais que fulgurante
Perdeu-se no mais íntimo
Fechar de uma janela.
Sublime tentação
De outros beijos não dados,
Esquecidos pois vulgarizados
Na busca tecada pelo prazer.
No entrar e esquecer da porta aberta
Tudo se ouviu, a emoção sumiu
Numa silenciosa caravela de proa torta,
Seguindo um rumo tenso
Na vastidão salivar
Do teu profundo umbigo.
Não há mais sinceridade
Nas resoluções tomadas ao acaso;
Há uma preparação para um enfrentamento
Como se uma guerra iminente
Sobrevoasse o campo das idéias
Já quimicamente alteradas
Pelo pulverizante assassino
Matador de revoltas.
Não há mais vontade
De se encontrar caminhos sem atrasos;
Há, sim, trocadores de placas
Espalhados em pontos vitais
Para que os passos sejam influenciados
Por seus chefes,
Os mestres da antiga arte
Da submissão.
Não há mais cidades
Onde possamos correr cem metros rasos,
Sem que o azar nos faça cruzar
Com ladrões dispostos a arrancar
A liberdade, exclusiva de cada um,
De poder escolher a melhor forma
De matar um tempo
Que desde sempre só faz escravizar.
domingo, 29 de novembro de 2009
DE(U)SAPARECER
Embriões atados a molas insólitas de extasiados humanos,
Estranhos seres do asfalto repugnante
Que destroçam sem piedade instintos e caminhos
Por uma sombra que os protejam do sol.
No mais profundo dos contrastes,
(Engomado e olhando de lado)
Usufruí pela primeira vez do meu mundo ilusório
Admitindo a partir de então que não era d(D)eus,
Este d(D)eus do mundo de sonhos,
Sonhos castrados em segundos;
Este d(D)eus atrapalhado e pisado,
Desanimado e com vermes nos olhos.
NÃO QUERO FRASES FEITAS
Formulação da palavra.
A cabeça gira,
Palavras formarão frases.
De tanto girar,
Começam a sangrar.
Todos os orifícios faciais
Experimentam agora
A deliciosa sensação
De empíricas cachoeiras.
Um vulto torna a formulação da palavra
Algo assustador,
De forma que a cabeça girará
E da boca sairão frases
Formadas de palavras,
Todas cuspidas da mesma boca,
Transformando as paredes
Em belos quadros
Pincelados de vômito.
A loucura ignora a formulação da palavra
E a faz chorar,
Molhando as palavras mal formadas
Que estragam as frases
E causam aftas por toda a boca,
Até que surge um daqueles
Que manda sal nas feridas,
Para que dela brotem, por instantes,
Rosas de carne rosadas.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
O MENDIGO NO OUVIDO DO MENDIGO:
"Até onde me entendo
Até ontem me entendia;
Até tarde da noite
A espera que pulsou
(A espera pulsando),
As horas correndo
Ao encontro do que
Nem se sabia existir...
Ainda hoje me entendo:
O canalha,
O viciado,
Perdido,
Lacaio do sistema,
O mendigo
Pedinte
De sempre...
Amanha é o desafio
Do entendimento
De pelo menos o meu ser,
Aquele que me conduz
Entre estes bilhões que sou,
Entre estas montanhas sonhadas,
Entre estes ventos
Que resfriam o corpo."
... e o poeta disse ao outro, num bar em madureira:
"Um estampido tão perto assim, nem adianta disfarçar: a linha de tiro é logo ali. Logo ali entre os homens, mulheres, crianças e suas casas. A chegada do trabalho, a volta da escola, o tormento destes hospitais, a obscuridade sorridente dos seres humanos tão corajosos quanto medrosos. Mais um dia que se vai e estas balas espalhadas que sempre encontram alvos perdidos aceleram o meu desejo de buscar alguma paz daqui longe demais.
Queria ver o sol de um lugar mais amplo, namorar à luz da lua... Queria descobrir formas nas nuvens carregadas da bendita chuva com meus pés descalços a deslizar pela lama repleta de seres imaginados pelos instintos, libertos de suas algemas. Queria um mergulho nas águas do rio, a temperatura divina equilibrando minhas energias e a sensação de ser um glóbulo naquele sangue que escorre pelas veias expostas e ainda não destruídas daquela cadeia de montanhas.
Já fechei em mim alguns olhos cegos e reparti os restantes entre meus famintos versos e alguns instantes calados. Um pleno mistério esgueirou-se pelo muro que eu construía e num instante de fúria o que se encontrava de pé bateu com os joelhos no chão e tombou, cabeça no esgoto. Fechei para mim algumas portas e outras abri, menos mortas, que de morte já me basta aquela do futuro inesperado."
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 23 de maio de 2007
quinta-feira, 5 de abril de 2007
reprodutores das balas perdidas,
mudos estúpidos...
vejo as estátuas mórbidas
segui suas sombras;
ouço suas vozes secas
a repetirem sempre
as mesmas ladainhas;
sinto o aroma financeiro
que exala pútrefo
de sua arte direcionada;
tateio as ruas
observando os escombros
da poesia instintiva;
desisto do tempo
e mudo o meu rumo
e o rumo da prosa:
vou mendigarte.







